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Ciências Contábeis A crise como oportunidade

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Zorahg Tavares, contador formado pela PUC Minas Virtual

Momento de instabilidade econômica demanda atuação de profissionais que atuam na área de gestão financeira, de risco e controle tributário

O período de desaceleração econômica no Brasil assusta diversas empresas e a princípio inibe a atuação de profissionais no mercado de trabalho e até mesmo dentro das organizações. Porém, a recessão e a instabilidade econômica podem ser uma oportunidade para profissionais que atuam nas áreas de gestão financeira, de crise e risco ou prestando consultoria de recuperação judicial e controle tributário.
O mercado é promissor, por exemplo, quando se trata de pessoas que atuam em empresas que decretaram falência. Os pedidos de fechamento registraram alta de 13,6%, em todo o País, no acumulado de 2015 (janeiro a julho), em relação ao mesmo período de 2014, de acordo com dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Segundo números da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), no Estado, em julho de 2015, cerca de 2.730 empresas encerraram as atividades, contra 1.998 no mesmo período em 2014.

É nesse segmento de mercado que atua Zorahg Tavares Farias, 31 anos, contador formado há cinco anos pela PUC Minas Virtual. Ele presta consultoria e assistência pericial contábil em Belo Horizonte e no interior do estado de Minas Gerais, serviços de recuperação judicial para escritórios de advocacia e empresas, além de exercer atividades nas áreas cível, trabalhista e tributária. “No caso de um processo de recuperação judicial, o contador pode trabalhar como administrador judicial, perito contador, assessor ou consultor contábil, auxiliando os devedores e credores na verificação da viabilidade da recuperação do devedor, no plano de recuperação, bem como na apresentação de relatórios periódicos contábeis, demonstrando a situação econômica da empresa”, esclarece.

De acordo com Zorahg, dentre todas as áreas de atuação que a Contabilidade disponibiliza, a de Recuperação Judicial de Empresas se destaca, especialmente em períodos turbulentos no âmbito econômico. Ele defende que é através deste trabalho que as empresas adquirem a possibilidade de recuperação judicial, na tentativa de reverter o quadro de dificuldades que atravessam, buscando dar continuidade às atividades comerciais e estratégicas no mercado, superando a crise, mantendo o emprego dos funcionários e contemplando ainda os interesses dos credores.

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“Às vezes, uma crise pode significar momentos de mudanças, de sair da acomodação e de trilhar outros caminhos”

Professor José Vuotto Nievas, do Curso de Ciências Contábeis

José Vuotto Nievas, professor da disciplina Perícia Contábil no curso de graduação a distância em Ciências Contábeis da PUC Minas, afirma que a contratação de um perito contábil é imprescindível neste processo de instabilidade econômica. “No curso, os alunos adquirem conhecimentos importantes para se prepararem para atuar no mercado, nas áreas de contabilidade, finanças, marketing, logística, tributos, mercado, análise de risco, perícia e recursos humanos. Somente com profissionais preparados é que as empresas poderão superar as dificuldades. É necessário encarar as turbulências como novos desafios e uma oportunidade de realização de novos negócios. Às vezes, uma crise pode significar momentos de mudanças, de sair da acomodação e de trilhar outros caminhos”, avalia.

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“O planejamento, juntamente com o plano orçamentário, é ação fundamental para a tomada de decisões”

Renata Gomes Vicentin, gestora contábil

Chance de novos negócios

Criar novos cenários, buscar alternativas para superar os problemas e melhorar as estratégias do negócio. Esse é um dos papéis de Renata Gomes Vicentin, 42 anos, mestre em Administração e especialista em Finanças. Contratada como gestora contábil de uma grande organização educacional em São Paulo, a aluna do curso de graduação a distância em Ciências Contábeis da PUC Minas assume um cargo estratégico na empresa, sobretudo nos períodos de instabilidade econômica.

Ela conta que é acionada para elaborar e executar forças-tarefas dentro da organização com o objetivo de impedir a evasão dos clientes, a rescisão dos contratos e da suspensão das demissões. “Executamos o nosso trabalho e conseguimos, por exemplo, manter o quadro de funcionários e, consequentemente, reduzir os gastos com a dispensa dos colaboradores.”

A gestora esclarece que a sua formação permite a análise da situação econômic0-financeira do País e, assim, traçar estratégias para o futuro das organizações. “O planejamento, juntamente com o plano orçamentário, é uma ação fundamental para a tomada de decisões. Nós, gestores, precisamos nos anteceder às situações que podem trazer benefícios ou possíveis prejuízos para as organizações, tornando essas situações muitas vezes como oportunidades de negócios”, enfatiza.

Para tanto, segundo ela, é necessário que os profissionais tenham algumas características importantes, como uma visão global em âmbito nacional e internacional sobre a dinâmica da empresa, capacidade de identificar e solucionar problemas com flexibilidade e adaptabilidade, realizar diagnósticos e dimensionar riscos, raciocínio lógico, crítico e analítico, operar com valores e formulações quantitativas, além de uma postura orientada para resultados, que em todas as organizações devem estar vinculados aos critérios de eficiência econômica, eficácia organizacional, relevância social e efetividade humana.

Para o economista Flávio Constantino, professor da PUC Minas, diante do cenário atual o caminho da prosperidade e da mudança é realmente este e exige um arcabouço, principalmente institucional, que premie a produtividade, estimule a competitividade e que respeite a legalidade. “Planejamento é a palavra-chave. Como a previsão é que nos dois próximos anos (2016/2017) tenhamos um cenário ruim, o momento de crise exige racionalidade dos custos, adoção de processos administrativos e produtivos mais eficientes e, dependendo do setor, o adiamento dos investimentos, aproveitando a maior rentabilidade oferecida no sistema financeiro”, sugere.

Texto
Érika Dourado
Fotos
1Arquivo Pessoal
2Marcos Figueiredo
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