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Equoterapia Animais que curam

As estudantes Dayane dos Santos e Jane Campos Luz, além do auxiliar-guia Mateus Dutra, acompanham Marco Antônio, um dos pacientes do projeto de equoterapia

Projeto busca o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências e necessidades especiais

Quando, há pouco mais de cinco anos, em uma gravidez de risco, esperava o filho Marco Antônio, Luciana Aparecida de Oliveira, hoje com 23 anos, descobriu em seu primeiro ultrassom morfológico que o bebê apresentava atraso em sua formação, o que lhe causaria displasia de quadril e pé torto congênito. Aos três meses de vida, Marquinhos, como é chamado pelos amigos e familiares, realizou sua primeira cirurgia de muitas que ainda viriam. Ao todo, ele foi submetido a oito procedimentos cirúrgicos. O último aconteceu quando completou três anos de idade. Marco Antônio, que desde que nasceu é acompanhado por diversos profissionais de saúde, é um dos pacientes atendidos pelo Equoterapia Multidisciplinar: um atendimento especial para crianças especiais, desenvolvido pela PUC Minas Betim, em parceria com a Despertar Vidas, clínica de equoterapia fundada por alunas egressas da Universidade. O projeto oferece procedimentos terapêuticos, por meio de atividades com cavalos, aos alunos da Fundação Dom Bosco e às crianças da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), unidade Betim.

Para Luciana, mãe do paciente Marco Antônio, há um mistério na relação entre o cavalo e a criança. “A interação é real e parece que um entende os sentimentos do outro. Quando ficamos sabendo, por meio da Apae de Betim, sobre o projeto desenvolvido pela PUC Minas, ficamos esperançosos. Com a atividade, a melhora em seu equilíbrio, funções motoras e psicológicas são enormes. Além disso, ele aprendeu a prestar mais atenção e a se concentrar mais”, conta.

Neste ano, chegando à 5ª edição, o projeto ganhou uma nova abordagem com a participação de alunos dos cursos de Medicina e Psicologia – anteriormente, o programa envolvia apenas os cursos de Fisioterapia e Medicina Veterinária. “Andar a cavalo requer equilíbrio e boa postura. Isso porque, ao andar, o animal realiza um movimento tridimensional – para frente e para trás – que muito se assemelha ao movimento da pelve dos seres humanos. Por isso, quando inserido em tratamentos terapêuticos, o cavalo pode auxiliar no desenvolvimento de ajustes motores ao corpo, melhorando as funções cognitivas, motoras, além de estimular a concentração e a autoconfiança”, explica a professora e coordenadora do projeto, Patrícia Lemos.

Atendimento multidisciplinar

Ao todo, 12 alunos realizam cerca de 30 atendimentos por semana. Os alunos do Curso de Medicina colaboram com o projeto com a realização da anamnese dos pacientes, que incluem visitas domiciliares. A Fisioterapia ampara o atendimento da técnica em cavalos. Os alunos da Psicologia proporcionam às famílias das crianças e adolescentes orientações sobre reabilitação e inclusão deste paciente com deficiência junto à sociedade. Já os extensionistas discentes do Curso de Medicina Veterinária cuidam da saúde e bem-estar dos cavalos.

Dayane Cristina dos Santos, 21, aluna do 7º período do Curso de Fisioterapia, conta sobre a satisfação em fazer parte do projeto. “Assim que entrei na faculdade, em 2014, me inscrevi no projeto e continuarei me inscrevendo enquanto ele estiver em fomento e eu puder participar. É muito gratificante passar as manhãs com essas crianças, passando o conhecimento que adquirimos em sala de aula, e, depois, colher os resultados. A melhora da postura, do equilíbrio, mas também da interação social, é algo que não tem preço”.

Um dos pacientes atendidos pela aluna Dayane Cristina é o pequeno Ailton de Souza Felipe, de três anos. De acordo com a mãe da criança, Juliana Souza da Conceição, de 32 anos, que tem outros dois filhos – um menino de 16, e uma menina de sete – em menos de um ano de tratamento, os movimentos de Ailton, que foi diagnosticado com hidrocefalia, já melhoraram muito. “Ele começou o tratamento em outubro do ano passado na Apae, e, no início deste ano, iniciou a equoterapia. Neste pouco tempo, ele melhorou muito o movimento das pernas e já começou a ter mais controle de seu tronco, pois, agora, está firmando mais o corpo”, alegra-se Juliana.

Torneio especial

Thaís Barretos, acompanhada dos pais, sempre participa do torneio de hipismo

O projeto realiza, anualmente, o Torneio de Hipismo Especial. Sem caráter competitivo, o desafio maior dos participantes é superar limites em meio à plateia, composta por familiares, amigos e comunidade em geral. Ao final do evento, todos recebem medalhas. Neste ano, o torneio, que chegou à 5ª edição, aconteceu em agosto, no Parque de Exposição David Gonçalves Lara, em Betim. Centenas de pessoas compareceram ao local para prestigiar os 55 atletas inscritos. Thaís Vieira Barretos, de seis anos, que usa uma válvula na cabeça devido à hidrocefalia, conta que já está fazendo coleção de medalhas. “Esta é minha terceira. Eu adorei ter participado mais uma vez”, conta a atleta, que diz adorar os cavalos e “os bichinhos que aparecem aqui quando estamos em aula”.

Texto
Lorena Scafutto
Fotos
Raphael Calixto
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