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Tecnologia Anjo da guarda

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O Sistema Anjo foi criado pelo aluno Wagner Coelho, do Curso de Sistemas de Informação do Campus Betim

Dispositivo busca evitar que motoristas esqueçam crianças dentro dos automóveis

Esquecer o filho pequeno dormindo dentro do carro é uma situação pela qual poucos pais acreditam poder passar um dia. Parece incomum, mas a incidência destes acontecimentos é mais frequente do que se possa imaginar.

No Brasil, ainda faltam estudos que indiquem a frequência deste acidente. Nos Estados Unidos, pesquisas indicam que cerca de 40 crianças morrem por ano após terem sido esquecidas dentro de carros. Não é incomum obter informações destes casos nos noticiários, e, ao conhecer essas histórias, a maioria das pessoas se pergunta: como é possível cometer este esquecimento? A resposta, segundo especialistas, é simples: pode acontecer com qualquer um, inclusive com você.

Analisando esses acidentes, o aluno Wagner Marques Santana Coelho, 28 anos, do Curso de Sistemas de Informação do Campus Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, criou uma solução chamada Anjo, que promete auxiliar os responsáveis e alertá-los em casos de perigo. O sistema funciona por bluetooth e é composto por um chaveiro (que acompanha a chave do veículo), uma almofada, que é colocada sob a cadeirinha da criança, e uma central de controle que fica dentro do carro”, explica um dos idealizadores. Desta forma, o sistema monitora a distância entre o responsável e a criança, podendo acionar situações de emergência para restabelecer condições adequadas para a criança. “Se o responsável se afasta dez metros ou mais do veículo, o chaveiro emite sons de alerta. Caso ele não retorne ao carro, a central de controle destrava as portas, abre as janelas e envia uma mensagem aos aparelhos celulares cadastrados com a localização da criança”, explica Wagner. “Com a correria e as responsabilidades exageradas que assumimos no dia a dia, o instinto intrínseco de proteção de pai e mãe nem sempre é o suficiente”.

Produto tem várias vantagens

A ideia do sistema Anjo surgiu quando o pai do aluno, Celso José Coelho, assistiu a uma reportagem na televisão, em 2013, sobre a morte de uma criança sob essas condições e sugeriu a criação de uma solução. “Há alguns aplicativos no mercado que prometem cumprir o mesmo objetivo, mas, nesses casos, as pessoas são reféns de celulares com bateria carregada, internet ativada e nem sempre temos isso à disposição”, diz Wagner.

Outra vantagem é o valor baixo do produto final, que pode chegar às famílias brasileiras por até R$ 60. “A proposta é ser acessível a todos. Fizemos uma parceria com uma empresa e, de acordo com uma pesquisa realizada sobre o andamento de patentes semelhantes à nossa, estamos mundialmente à frente com o nosso produto“. Atualmente, o projeto integra a incubadora Ideias, da PUC Minas, e promete alçar mais voos e se estabelecer no mercado.

Cada caso deve ser tratado individualmente, mas fatores como a mudança de rotina e o acúmulo de tarefas diárias podem contribuir para o esquecimento. “Esses acidentes podem ser explicados pelo que a Psicologia chama de comportamentos automatizados. A sobrecarga de atividades na rotina nos torna automáticos. É como se o nosso corpo obedecesse a um horário pré-estabelecido para cada atividade e, quando as tarefas fogem deste cronograma, tendemos ao esquecimento. Muitos pais que esqueceram uma criança dentro do veículo amavam verdadeiramente o filho e, muitas vezes, eram atenciosos”, explica a professora Karina Fideles Filgueiras, psicóloga e doutora em Educação. “A modernidade nos chama para muitos compromissos sociais e acabamos sobrecarregados. O ideal é que não nos deixemos automatizar. Precisamos tomar consciência do que estamos fazendo no momento em que nos propomos a fazê-lo”, observa.

Texto
Lorena Scafutto
Foto
Rossana Magri
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