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Diálogos Democracia para a construção de um país melhor

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"Parece que ainda estamos longe de entender que constituir governos e casas parlamentares honestas e esclarecidas é o que nos levará a um Estado melhor"

Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Reitor da PUC Minas
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte

O ideal da vida em sociedade passará sempre pela busca da construção do bem comum, pelo respeito à coisa pública, pela observação efetiva de responsabilidades e direitos em todos os seus âmbitos, pela proteção aos mais frágeis e à tolerância das diferenças. Historicamente, e em ciclos rápidos, o Brasil tem conhecido momentos angustiantes e inquietantes de tensões e de turbulências em sua caminhada político-social. Quando fomos, de fato, uma república plena? Difícil responder. Mas cabe lembrar que passamos praticamente um terço do século passado sob estado de exceção. De tolhimento da liberdade de expressão e de direitos coletivos e individuais.

Depois da chamada Constituição cidadã, em 1988, de cuja construção participaram os mais diversos setores da vida brasileira, destacadamente os movimentos sociais e outras forças democráticas, o Brasil ensaiou uma caminhada mais firme no sentido de fugir da triste realidade de um país em que a sociedade civil vive a reboque de governos fisiológicos, descomprometidos com o bem comum e com a proteção aos mais pobres e miseráveis. Da verdadeira valorização da política como instrumento e estratégia de reinvenção de um país melhor: mais lúcido, mais justo, mais honesto e mais inclusivo.

Na atualidade, a construção da democracia e da cidadania no país tem esbarrado, tristemente, em obstáculos outros que não o do grave e inaceitável autoritarismo. É impedida de realizar-se na prática fisiológica e paternalista da política representativa, no uso da máquina pública em proveito de interesses privados, no exercício corrupto da função pública, em todos os Poderes, em detrimento das necessidades da população carente.

Esta crise de representatividade amplia e torna mais profundo o abismo entre Estado e sociedade civil. Mas parece que ainda estamos longe de entender que constituir governos e casas parlamentares honestas e esclarecidas é o que nos levará a um Estado melhor. Até então, infelizmente, o que a sociedade civil tem feito, pela força do voto democrático, é legitimar os absurdos que tanto nos desonram como Nação.

Texto
Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Reitor da PUC Minas Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte
Foto
Marcos Figueiredo
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