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Direitos Humanos Emancipação e inclusão social

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O haitiano James Simonvil é um dos participantes

Contribuir com o processo de emancipação e de inclusão social de refugiados e migrantes, moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte, por meio do ensino da língua portuguesa. Essa é a proposta do Projeto LER, desenvolvido pelo Programa de Pós-graduação em Letras e que consiste em oficinas de leitura e de escrita, com base nas experiências culturais, nas aptidões pessoais e nas demandas sociais e linguísticas dos migrantes e refugiados atendidos.

Realizado em parceria com o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR) da capital, o projeto conta com o apoio do Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros (Cespuc), uma cátedra do Instituto Camões, órgão de Portugal responsável pela promoção da língua e cultura portuguesas no mundo. Além disso, tem o reconhecimento e a assessoria do Núcleo de Direitos Humanos e Inclusão da Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas. O material didático inédito, assinado pelas professoras e estudantes, recebe o apoio do Núcleo de Ensino em Língua Portuguesa do Cespuc.

As oficinas, realizadas aos sábados, são destinadas a jovens a partir de 18 anos, que possuem nível intermediário de compreensão oral e escrita da língua portuguesa, com o objetivo de aprofundar as habilidades de comunicação e o conhecimento da cultura brasileira. De acordo com a professora Sandra Cavalcante, coordenadora do projeto juntamente com a professora Josiane Militão, busca-se criar um ambiente de interculturalidade: “Não queremos apenas ensinar a nossa língua, mas também aprender com as experiências culturais que eles trazem”.

Segundo a professora Sandra, o projeto tem orientação pedagógica baseada em dois grandes pensadores no campo da Educação, Paulo Freire e Célestin Freinet. “Os migrantes e refugiados estão em processo de aprendizagem da língua não só para a inserção no mundo do trabalho, mas para o exercício da autonomia e para que possam pensar criticamente”, afirma. Os estudantes, em sua maioria, são trabalhadores que já estão no mercado de trabalho ou matriculados em instituições da educação básica, conta a professora, que enfatiza que muitos possuem diploma de nível médio ou superior no país de origem.

Neste ano, o projeto inclui o uso de recursos digitais com o intuito de acelerar e aprofundar o processo de aprendizagem da língua e também contribuir para a preparação daqueles que desejam realizar o exame para Certificação de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros.

James Simonvil, 24 anos, é um dos participantes do projeto. Ele veio do Haiti em maio de 2016 para ficar com a mãe, que já morava aqui. “Apesar de ter uma leve noção de espanhol, achei o português difícil. Algumas coisas são parecidas nos dois idiomas, mas muitas são diferentes na escrita e na pronúncia. No início, tive ajuda de amigos quando precisava falar com alguém, e assistia à TV para ir me acostumando com a língua”, afirma.

Simonvil diz que desde que chegou ao Brasil tinha vontade de continuar os estudos iniciados no Haiti. Hoje, no terceiro ano do ensino médio, afirma que as oficinas têm lhe ajudado muito a usar o português de forma correta e conta que pretende prestar vestibular para Medicina ou Relações Internacionais.

 

Texto
Tereza Xavier
Foto
Raphael Calixto
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