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Profissão Entre ligas e metais

Para Ana Claudia, a experiência no exterior confirma a qualidade de formação do profissional pela Universidade

Com amplo campo de atuação, o engenheiro metalurgista encontra um mercado de trabalho diversificado

“O engenheiro metalurgista é o responsável por pensar a junção de vários elementos de personalidades diferentes para dar liga ou transformar em material útil à sociedade”

Professor José Eduardo Silva de Araújo Brandão, coordenador do Curso de Engenharia Metalúrgica

Os produtos e subprodutos de processos metalúrgicos fazem parte do nosso cotidiano e estão ligados a todos os setores da nossa vida. Bens minerais estão presentes na pasta de dente que usamos, nos meios de transporte urbano, nos computadores e celulares que nos conectam ao mundo. A produção das ligas metálicas, para construir produtos com a melhor performance e tecnologia, é uma das atividades do engenheiro metalurgista. “Esse profissional trabalha com a produção, processamento e desenvolvimento de materiais metálicos. Um elemento químico sozinho não representa muita coisa. O engenheiro metalurgista é o responsável por pensar a junção de vários elementos de personalidades diferentes para dar liga ou transformar em material útil à sociedade”, explica o coordenador do Curso de Engenharia Metalúrgica, professor José Eduardo Silva de Araújo Brandão, oferecido no Campus Coração Eucarístico.

Com amplo campo de atuação em indústrias mecânicas, metalúrgicas, siderúrgicas, caldeirarias e minerações, o profissional encontra em Minas Gerais e no Brasil um mercado de trabalho diversificado. Só em Minas Gerais são extraídas mais de 50 substâncias minerais e 37 tipos de metais. “Trabalho no desenvolvimento de novos produtos, novos aços, para novas aplicações, e também na melhoria de processos”, explica a ex-aluna do Curso de Engenharia Metalúrgica, Isabelly Alves de Lima Vieira, que trabalha atualmente como analista no laboratório de metalografia da Vallourec Soluções Tubulares do Brasil. “É um mercado muito promissor. Nunca vi tantos processos de seleção de engenheiros quanto nos últimos meses”, destaca a engenheira metalurgista.

O presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial de Minas Gerais, Adriano Espeschit, reforça esta percepção. “O mercado está aquecendo. Temos recebido pedidos de indicação de profissionais. Este é um termômetro”. Ele explica que a área de metalurgia sofre influência da política internacional e de diversos fatores de mercado e que as perspectivas para a área são positivas.

Carreira internacional

“Sempre fui apaixonada por processos metalúrgicos, antes mesmo de entendê-los. Por isso sempre me imaginei trabalhando em uma aciaria, unidade em usina siderúrgica onde o ferro-gusa é convertido em aço”, explica Ana Cláudia França Meireles. Ex-aluna, graduada em 2011, na primeira turma do curso, Ana Cláudia também começou com a construção de sua carreira durante a graduação. Participou do programa Ciência Sem Fronteiras na Alemanha, onde estudou o idioma por sete meses e frequentou a Universidade de Aachen. De volta ao Brasil, fez estágio em uma empresa do setor de mineração. A volta para a Alemanha se deu através do apoio do orientador de estágio, que mostrou os caminhos para iniciar um projeto científico em um dos três maiores centros de referência na área de solda por fricção da Alemanha. A experiência no exterior confirma a qualidade de formação do profissional pela Universidade. “Vejo que o nosso curso não deixa a desejar em nenhum aspecto quando comparado à formação no exterior”, afirma Ana Cláudia.

Cristhiana Perdigão Martins Ferreira também mesclou a experiência no mercado de trabalho e no exterior para trilhar a carreira. Em 2013, esteve na Austrália como estudante universitária e teve a oportunidade de aprender sobre processamento mineral. “Visitei várias minas no estado de Victoria e na Tasmânia. No final do segundo semestre fui convidada por um professor a fazer um estágio de verão na Comunidade de Pesquisa Científica e Industrial da Austrália, que, em parceria com empresas privadas, desenvolve vários projetos aplicáveis na indústria. Ao retornar ao Brasil, trabalhei como estagiária na Vale. Atualmente, moro na Austrália e sou candidata ao mestrado na Federation University”. Com toda essa experiência, Cristhiana vê grandes possibilidades de atuação no mercado brasileiro. “O Brasil possui grandes possibilidades para o engenheiro metalurgista e em diversos ramos. Se tem algo que aprendi até agora é que o mercado não é engessado”, avalia. “Definitivamente o Curso de Engenharia Metalúrgica me deu a base para que eu chegasse onde estou. Não só na parte teórica, mas acredito que o mindset, a forma de perceber a profissão e o mercado, desenvolvido ao longo do curso, foi de extrema importância para minha carreira”, finaliza.

O curso

O Engenheiro Metalurgista trabalha a produção (beneficiamento de minérios/sucata à obtenção do metal líquido), processamento (transformação do metal líquido em peças, chapas, tubos e barras) e o desenvolvimento de novas ligas metálicas. Na PUC Minas, o curso é ofertado no turno da noite, incentivando o aluno à prática através do estágio e de projetos de pesquisa. O corpo docente, além da ampla qualificação e titulação, estabelece ligação com o mercado de trabalho, favorecendo a inserção do futuro profissional.

O curso possui laboratórios especializados como Fundição, Soldagem, Conformação Mecânica, Minérios, Metalografia, Microscopia Ótica e Eletrônica de Varredura, Ensaios Mecânicos e Não Destrutivos e Tratamentos Térmicos. No Laboratório de Microscopia Avançada está o Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV), um dos mais versáteis instrumentos disponíveis para observação e análise das características da estrutura interna de materiais, com possibilidade de ampliação das imagens em até 50 mil vezes. “Nossos laboratórios são tão avançados que recebemos empresas para a realização de testes”, destaca o professor Attenister Tarcísio Rego, diretor do Instituto Politécnico (Ipuc). “Isto significa o estreitamento do relacionamento com o mercado de trabalho e mais oportunidades de estágio e trabalho para os nossos alunos”, completa.

 

Saiba mais

  • O Brasil tem 29 usinas siderúrgicas
  • 34,4 milhões de toneladas de produção de aço bruto
  • 10ºexportador mundial, exportando para mais de cem países
  • Detém reservas minerais abundantes de materiais estratégicos para o país, como minério de ferro, manganês, nióbio, alumínio (bauxita), manganês, urânio, entre outros, conferindo ao setor mínero-metalúrgico uma posição de destaque na economia brasileira

Fonte: Instituto Aço Brasil (2017)

Texto
Michelle Stammet
Fotos
Raphael Calixto
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