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Tecnologia da Informação Estímulo ao aprendizado

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A aluna Caroline, com Lucas Gabriel que participou das atividades de robótica

Robótica aplicada a crianças com Transtorno do Déficit de Atenção mostra resultados positivos

A Tecnologia da Informação tem sido aplicada cada vez mais em salas de aula como uma aliada no processo de ensino-aprendizagem. Neste contexto, dois alunos do Curso de Sistemas de Informação do Campus Betim desenvolveram um Trabalho de Conclusão de Curso que avaliou o uso da Robótica Educacional em crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O trabalho foi realizado em 2018 por Caroline Rhaian da Silva Jandre, Thalles Bramante Moreira, e coordenado pelo professor Fábio Martins de Oliveira. Os resultados apresentaram significativa melhora na atenção, memória e raciocínio lógico dos participantes.

De acordo com os alunos, as características do TDAH envolvem crianças dispersas, o que, muitas vezes, dificulta a linha de raciocínio com início, meio e fim. “A robótica consiste na elaboração de tarefas por meio de robôs. Existem pesquisas que vinculam essa atividade ao estímulo do raciocínio lógico, mas queríamos verificar se a aplicação em um público com déficit de atenção também impulsionaria esse desenvolvimento”, aponta Caroline. O resultado foi a constatação do quão útil a tecnologia pode ser no processo de ensino e aprendizagem. “Foi um ano de trabalho com as crianças e mesmo no período em que ficamos quase três meses sem aulas, devido às férias, eles conseguiram recordar os comandos que movimentavam os robôs. E este já foi um enorme ganho”, ressalta Caroline.

“De uma forma lúdica, conseguimos prender a atenção dessas crianças. Os pais relataram que as crianças se interessavam tanto, que simulavam em casa os trabalhos desenvolvidos em sala, o que não é comum nestas crianças”, revela Thalles. A cabelereira Magda Patrícia Teixeira conta que a robótica estimulou o filho Lucas Gabriel, 11 anos, diagnosticado com TDAH e Síndrome de Irlen, a criar novos desafios. “Ir para a escola é sempre um custo. Lucas vai e volta reclamando das atividades e dos colegas. Com a robótica foi diferente: ele acordava animado para aprender mais. Quando chegava em casa, pegava caixas de leite e pasta de dente para criar outras coisas, como robôs, por exemplo”, conta. Para a mãe, as escolas precisam ter outro olhar para essas crianças. “Acho que faltam estímulos para as crianças que possuem dificuldade em se concentrar. Elas querem aprender, mas precisam de outros métodos”, aponta Magda.

Para o desenvolvimento da pesquisa, os alunos procuraram o Centro de Referência e Apoio a Educação Inclusiva (Craei) de Betim (MG) e a responsável por acompanhar o projeto foi a assessora pedagógica de inclusão Aliene Araújo Villaça: “Foram selecionadas crianças que não se adaptavam à rotina escolar por falta de concentração, dificuldade em memorizar e que, muitas vezes, não conseguiam permanecer por muito tempo em sala de aula. Muitas vezes essas crianças são apontadas como indivíduos que não conseguem aprender, mas isso não é verdade. A pesquisa também conseguiu mostrar que até a criança com mais dificuldade conseguiu realizar o desafio final com o robô”. Os resultados foram levados para os professores que lecionam nas instituições municipais de ensino. “Alguns ficaram surpresos com a atenção e o interesse dos alunos durante as oficinas. Acreditamos que, desta forma, esses professores poderão trabalhar com outros estímulos para prender a atenção destes alunos em sala”, enfatiza a pedagoga.

Texto
Lorena Scafutto
Foto
Raphael Calixto
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