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Tecnologia Incentivo à inovação tecnológica

PUC Minas desenvolve várias iniciativas para impulsionar os alunos nessa área

“Nosso diferencial no mercado europeu é ofertarmos um produto de qualidade técnica com custo mais baixo do que osconcorrentes como a Índia e China”

Gilson Junior, sócio da iOasys e engenheiro de computação

Uma boa ideia, muita vontade de empreender e arriscar. São os requisitos para quem quer entrar no mundo da inovação tecnológica. Afinal, São Pedro Valley é logo aqui. Belo Horizonte já tem fama internacional na área de inovação tecnológica e com isso as oportunidades de trabalho e investimento em novos projetos também decolam. Nessa onda, a iOasys e vários outros projetos de estudantes universitários estão surgindo, e a PUC Minas, por meio do Instituto de Ciências Exatas e Informática (Icei), desenvolve várias iniciativas para impulsionar o aluno para o mercado de trabalho.

Uma delas é a parceria com a Fumsoft, através do Programa de Pré-aceleração de Negócios (PAN). Semestralmente, são selecionados por edital projetos que irão receber mentoria de professores, profissionais externos, pessoas que constituíram startups. O programa conecta o aluno com aceleradoras propriamente ditas. “Como trabalhamos com o aluno ainda na fase da ideia, focamos em dois eixos. O tecnológico, com suporte de mercado por consultores especializados e que acompanham os últimos desdobramentos, e o de mercado, em que ocorre a validação da ideia, se o projeto será bem aceito pelo mercado”, explica Flávia Guerra, coordenadora de Empreendedorismo da Fumsoft.

Foi a partir da incubação na Fumsoft que nasceu, em 2011, a iOasys. A necessidade de facilitar o rateio da conta dos bares entre grupos de amigos produziu o Passa Régua, primeiro aplicativo desenvolvido pela startup. Essa empresa, que hoje tem 50 colaboradores e atua em São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e Madrid, possui na cartela de clientes empresas como Vale, Nissan e Cisco e já desenvolveu mais de 50 projetos.

“Os alunos trabalham em sistema de coworking, o que propicia a troca de conhecimentos, experiências e proporciona o amadurecimento e crescimento nesse meio. É um ambiente propício ao desenvolvimento de um novo negócio”

Professor João Carlos Oliveira Caetano, coordenador do PAN na PUC Minas

“Foi um processo muito interessante porque havia conceitos que nós não dominávamos e, além disso, é um ambiente extremamente cooperativo, de aprendizado”, explica Gilson Junior, sócio da empresa e engenheiro de computação formado na Unidade São Gabriel. E foi o incentivo através da incubação na Fumsoft que abriu as portas da internacionalização da empresa, a partir da participação no Concurso de Startups Brasil/Reino Unido, promovido pelo governo britânico.

Atualmente são quatro startups incubadas que recebem mentoria e consultoria mais pontual. “Os alunos trabalham em sistema de coworking, o que propicia a troca de conhecimentos, experiências e proporciona o amadurecimento e crescimento nesse meio. É um ambiente propício ao desenvolvimento de um novo negócio”, afirma o professor João Carlos Oliveira Caetano, coordenador do PAN na PUC Minas. “Além disso, neste ramo, as soluções têm de ser validadas muito rápido e a Fumsoft está preparada para isso”, completa. “Percebemos que poderíamos contribuir com os alunos no nascedouro das ideias, muito no começo do processo. Isso estimula o aluno a ter uma ideia, colocá-la no papel e a desenvolvê-la, se for aplicável”, afirma o professor Lúcio Mauro Pereira, diretor do Icei. “O aluno fará um plano de negócios. Ainda que ele não esteja maduro, vai fazer uma reflexão e amadurecer para futuras oportunidades”, completa.

Já participaram do PAN aproximadamente 35 projetos. Desses, vários tiveram visibilidade em função das ideias inovadoras, bem como da possibilidade de participação em eventos de aceleração. “A PUC Minas é pioneira. Sempre acreditou no incentivo à inovação. São 12 anos de parceria com a Fumsoft”, explica Flávia Guerra.

Mercado de trabalho

Além do incentivo à participação de equipes em editais de aceleração de negócios, o Icei investe na relação com o mercado de trabalho. “A aproximação entre empresas e Universidade enriquece a nossa atuação e gera oportunidade para os alunos”, explica o professor Rommel Carneiro, responsável no Icei pelo relacionamento com as empresas. “Queremos que o aluno entenda que ele pode ser inovador em qualquer situação”, explica o professor Lúcio Mauro.

Segundo ele, o trabalho é feito de três formas: há empresas com problemas que buscam soluções fora do seu corpo técnico e esses problemas são direcionados aos alunos para que possam inovar; há soluções interessantes de alunos que são oferecidas para as empresas; e há ações que promovem a aproximação entre alunos e empresas.

Atualmente, o Icei mantém parceria com empresas como IBM, Oracle, Facebook, EMC, além da Microsoft, que mantém o Microsoft Innovation Center PUC Minas (MIC PUC Minas) na Unidade São Gabriel. “Fornecemos às empresas o suporte da academia para que possam inovar e estamos trazendo as empresas para dentro da Universidade”, reforça Sandro Jerônimo, coordenador do Microsoft Innovation Center PUC Minas.

Além do Programa de Residência Técnica, o MIC também realiza o programa Student to Business, destinado à capacitação de estudantes na tecnologia Microsoft. Semestralmente o programa, gratuito, forma 80 estudantes aptos a atuarem no mercado. Podem participar desde alunos do ensino médio até estudantes de cursos de pós-graduação. “Nossa percepção é que todos os esforços que vêm sendo feitos pelo Icei estão se disseminando de forma positiva no mercado de trabalho. Quando os cursos de tecnologia da Universidade ficam nos primeiros lugares do ranking da Folha de São Paulo (o RUF), sabemos que o mercado está dando preferência para contratação de profissionais formados pela PUC Minas”, comemora o professor Lúcio.

De Minas para o mundo

“Entramos como universitários e saímos empresários, capazes de gerar novos empregos, o que é muito importante no nosso país hoje”

Ramon Coelho

A Tower Up, equipe criadora do game Sonho de Jequi, também passou pela experiência de ser pré-acelerada no PAN e posteriormente no Microsoft Innovation Center, conquistando o terceiro lugar na categoria Games na etapa mundial da Imagine Cup 2016, a copa do mundo de tecnologia da Microsoft. “Entramos como universitários e saímos empresários, capazes de gerar novos empregos, o que é muito importante no nosso país hoje”, comemora Ramon Coelho. “Nossa trajetória começou com o incentivo e dedicação dos professores em sala de aula. Passamos pelo MIC, que nos ofereceu contatos na área de negócios e amadurecimento para a criação da Tower Up. O MIC também nos ligou à Microsoft Brasil e ao mundo”, reforça. O Sonho de Jequi, desenvolvido a partir do trabalho de conclusão do Curso de Tecnologia em Jogos Digitais, é gratuito e educativo. Já o Wells, segundo projeto desenvolvido pela Tower Up, é um game comercial que já está disponível nas plataformas XboxOne, Steam e, em breve, para PlayStation. “Estamos falando de um produto lançado globalmente. Temos um contrato internacional que abrange todo o continente”, diz Ramon.

Dois universitários e a percepção de que os processos de contratação no setor de tecnologia poderiam ser mais ágeis e menos onerosos. Assim nasceu a Vulpi, startup especializada na contratação de desenvolvedores. “Percebemos que os processos de contratação eram muito demorados, de quatro a cinco meses, e nem sempre o profissional selecionado atendia aos requisitos da contratação. Isto atrasava o trabalho de toda a equipe envolvida nos projetos”, explica Fellipe Couto, um dos sócio-fundadores da Vulpi e aluno do Curso de Sistemas de Informação da Unidade Barreiro. “Daí surgiu a ideia de desenvolver uma ferramenta que garimpa na internet os profissionais e suas habilitações técnicas. Não ficamos limitados apenas aos profissionais que estão com interesse em uma vaga. Podemos buscá-los no mercado”, completa. A Vulpi passou pelas várias etapas do processo de incubação. Participou da 1ª edição do PAN, em 2012, e levou o prêmio de melhor startup. Em 2015, venceu a 2ª edição do Lemonade como a melhor startup. “Nesse momento optamos por investir na empresa. Deixamos nossos empregos para enfrentar o desafio de sermos empreendedores”, explica Fellipe. Hoje a Vulpi é acelerada pela Techmall. “A aceleração tem papel fundamental para o empreendimento em estágio inicial, principalmente na parte burocrática. Também direciona para a reflexão sobre os melhores caminhos”, afirma. A startup foi selecionada para participar do Startup Chile 2017, o maior programa de aceleração da América Latina.

Proteção da inovação tecnológica

Os produtos desenvolvidos a partir de ideias inovadoras dentro da Universidade geram renda e transferência de conhecimento para a sociedade. É com o propósito de zelar pelos interesses da Universidade e dos alunos que o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) orienta, estimula e apoia a proteção dos resultados de pesquisas desenvolvidas no âmbito da Universidade. “Estamos prontos a orientar os empreendedores para que possam gerar valor para o seu negócio. Hoje, no setor de inovação, uma ideia inovadora pode rapidamente ser absorvida e desenvolvida por uma empresa concorrente, e o autor da ideia perder o timing da inovação”, afirma o professor Humberto Torres, coordenador do NIT.

Minas é polo de empresas de TI

“Minas Gerais tem uma predisposição para a formação de mão de obra qualificada. Temos um berço de formação de bons profissionais”

Professor Lúcio Mauro Pereira, diretor do Icei

Minas Gerais é hoje o segundo Estado com o maior número de empresas de Tecnologia da Informação e biotecnologia. São mais de 20 incubadoras distribuídas em 16 cidades mineiras e seis parques tecnológicos. Muito tem sido feito pelos diversos atores do ecossistema de inovação e empreendedorismo. Essa é a aposta central do Governo de Minas Gerais para a economia do Estado. “Minas Gerais tem uma predisposição para a formação de mão de obra qualificada. Temos um berço de formação de bons profissionais”, afirma o diretor do Icei, professor Lúcio Mauro Pereira.
A instalação da Google em Belo Horizonte, após a compra da startup mineira Akwan, despertou a percepção das pessoas para a possibilidade de gerar negócios que poderiam ter visibilidade no mercado global. Essa percepção deu origem ao São Pedro Valley, uma brincadeira relacionada à grande quantidade de empresas de tecnologia instaladas no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, e que seria o Vale do Silício brasileiro.
Atualmente, a Assembleia de Minas Gerais debate a criação de projeto de lei que dispõe sobre a política estadual de estímulo, incentivo e promoção ao desenvolvimento local das startups mineiras, a fim de simplificar a vida contábil e incentivar novos negócios.

Saiba mais

 

Cursos de TI na PUC Minas

  1. A PUC Minas oferece cursos na área de Tecnologia da Informação nas unidades do Barreiro, São Gabriel, Praça da Liberdade e campi Betim, Contagem, Coração Eucarístico, Poços de Caldas e Uberlândia.

  2. A instituição é reconhecida pelo mercado por sua excelência na formação de profissionais. Além dos cursos de graduação, a Universidade oferta cursos de especialização, mestrado e doutorado na área.

Vocabulário da inovação

  1. Startup – empresas jovens e com propostas inovadoras procurando desenvolver um modelo de negócio escalável e que seja repetível.

  2. Coworking – espaço de trabalho compartilhado, em que diferentes empresas podem trabalhar em um mesmo local e trocar experiências.

  3. Incubadora – são instituições que auxiliam no desenvolvimento de empresas nascentes e em operação. Elas oferecem suporte técnico, gerencial e formação complementar ao empreendedor.

  4. Mentoria – ferramenta para o desenvolvimento profissional. O mentor tem o papel de aconselhar, ensinar ou guiar outra pessoa com menos experiência.

  5. Aceleradoras – prestam serviços às empresas selecionadas, por meio de análise e aprimoramento de modelo de negócio, ampliação de rede de contatos, mentoria e ações para desenvolver essas empresas de forma mais rápida. As aceleradoras podem fazer aportes no negócio e, como contrapartida, pedem cotas de participação da empresa entre 5% e 20%.

Texto
Michelle Stammet
Fotos
Rossana Magri
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