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Saúde Lesões tratadas

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O Ambulatório de Feridas tem capacidade para até 25 atendimentos por terça-feira, à tarde, do semestre letivo

Projeto de extensão atende pacientes para tratamento de feridas em geral e para os que perderam capacidade de esvaziar intestino e bexiga

O aposentado Marcelo Ribeiro de Melo convive com feridas nas duas pernas há quatro anos, desde janeiro de 2013. Primeiro em uma das pernas, lesão chamada fasceíte necrosante, que destruiu toda a pele do quadril até o tornozelo esquerdo, em decorrência de infecção contraída após cirurgia para retirada da veia safena, em um hospital particular na região Sul de Belo Horizonte. Transferido para outro hospital, público, na região de Venda Nova, foi constatada infecção generalizada e ficou em coma induzido durante 45 dias. Após medicação com três diferentes antibióticos, a infecção fora controlada. Para tratar as lesões, os médicos resolveram enxertar pele da perna direita para a esquerda, mas nem assim cicatrizaram-se, o que ocasionou feridas abertas nas duas. Teve anemia severa e nos dois anos seguintes ficou internado em outro hospital público, na região Centro-Sul, onde os curativos eram feitos, sem muita periodicidade, com materiais doados. Fora transferido para uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e depois para centro de saúde, onde trataram as feridas com gaze e óleo de girassol, mas mesmo assim não melhoraram.

Foi no Ambulatório de Feridas da Clínica de Enfermagem da PUC Minas, atendido desde meados de 2016 por estudantes, sob a supervisão de professores, que Marcelo Ribeiro, de 50 anos, começou a ter avanços no tratamento, com previsão de cicatrização total das feridas para julho deste ano. Quando lá chegou, alunos do Curso de Enfermagem tiraram as gazes presas às feridas, havendo muita dor, sangramento e uso de morfina. Ele ainda não consegue andar, a imobilidade gerada pelas lesões também atrofiaram os músculos, mas “antes a perspectiva era de que elas somente se fechariam no início de 2018”, comemora Marcelo, que está aposentado desde o início de 2016. Na PUC Minas, trata-se gratuitamente com o Petrolatum, medicamento mais indicado nesse caso e que por raras vezes teve acesso durante todos esses anos, seguindo o tratamento em casa com soro, atadura e gaze fornecidos pelo posto de saúde.

O objetivo do ambulatório da PUC Minas é também o treinamento de familiares desses pacientes para o tratamento das feridas, já que é um processo que não pode sofrer interrupções, como ressalta a coordenadora do ambulatório, professora Luzimar Rangel Moreira. “O diferencial no tratamento das feridas é a orientação à família, já que se ensina ao acompanhante como cuidar das feridas em casa”, ressalta a professora. A docente desenvolveu o projeto de extensão a partir de sua experiência na supervisão ao cuidado paliativo de pacientes, na Santa Casa de BH, já que muitos deles reclamavam que nos postos de saúde não havia material para tratamento e a maioria não ensinava a tratar das feridas em casa, pontua. Marcelo calcula o custo mensal de mais de R$ 2 mil se tivesse que pagar pelos medicamentos, custo muito além da aposentadoria que recebe, no valor de R$ 1,4 mil, mais renda de um salário mínimo da mãe, com quem mora.

 

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O aposentado Marcelo Ribeiro de Melo, com a monitora Andréa Maria Araújo Vaz, teve avanços no seu tratamento no Laboratório de Feridas

Marcelo e outros pacientes como ele, encaminhados pelas redes pública e privada de saúde, são atendidos gratuitamente todas as terças-feiras à tarde do semestre letivo, com capacidade para até 25 atendimentos por dia, no Ambulatório da Clínica de Enfermagem no Campus Coração Eucarístico da PUC Minas, em Belo Horizonte, que funciona na Clínica de Fisioterapia e de Fonoaudiologia (prédio 46). O projeto de extensão é financiado pela PUC Minas e tem a participação de monitores acadêmicos do curso. “A atividade é muito importante para a formação dos alunos, a inserção deles precocemente no atendimento à comunidade amadurece e auxilia na formação dos estudantes comprometidos com a população carente. O aluno aprende a tratar e elaborar condutas, proporcionando uma formação diferenciada para os participantes do projeto e também para a educação para a saúde”, reforça a professora Luzimar.

Voluntariado

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“O aluno aprende a tratar e elaborar condutas, proporcionando uma formação diferencial para os participantes do projeto e também para a educação para a saúde”

Professora Luzimar Rangel Moreira

Monitores como Andréa Maria Araújo Vaz, de 55 anos, aluna do 10º período do Curso de Enfermagem do Campus Coração Eucarístico, acompanham os pacientes. Mesmo nas últimas férias escolares, Andréa, que é também bióloga e aposentada, fez questão de acompanhar o tratamento de Marcelo na própria casa dele, uma vez por semana. Trabalho voluntário que desenvolve como monitora também na Fraternidade Espírita Irmão Glaucus, em Belo Horizonte. “O tratamento de feridas tem que ser contínuo, se elas retornarem volta-se à estaca zero”, ensina.

Como explica a professora Luzimar, são tratados no ambulatório pacientes com feridas operatórias infectadas, decorrentes de infecções hospitalares, muito comuns segundo ela, e também resultantes de escoriações e acidentes. Também são tratadas lesões úlcera-arteriais, frequentes em pacientes com insuficiência arterial, decorrente de tabagismo, genética, diabetes, obesidade, hipertensão (pequenas e delimitadas, mas muito doloridas); lesões por pressão (pessoas acamadas ou sentadas em cadeira por muito tempo, como paraplégicos; efeito que se dá também por contato prolongado com urina). A professora explica ainda que, muitas das feridas, quando profundas, passam a não doer mais, tendo em vista que já romperam todas as respectivas terminações nervosas.

No Ambulatório, também são desenvolvidas atividades de educação para a saúde, como prevenção contra dengue, zika, chikungunya, cuidados com as pernas e higiene corporal, e também reeducação vesicointestinal, para pacientes que, devido a distúrbios neurológicos (lesão medular, cerebral e outros), perderam a capacidade de esvaziar a bexiga e/ou intestino. A reeducação vesicointestinal tem atendimento integrado com a Clínica de Fisioterapia, para orientação, por exemplo, quanto à passagem de sondas.

 

Onde e quando procurar

  1. Às terças-feiras, a partir das 14h, durante o semestre letivo (atendimento gratuito por ordem de chegada)

  2. Ambulatório de Feridas – atendimento da Clínica de Fisioterapia e de Fonoaudiologia – prédio 46 – Campus Coração Eucarístico (entrada pela Av. 31 de Março), em Belo Horizonte – MG.

 

Quem pode ser atendido:

  1. Familiares de pacientes e pacientes com feridas operatórias infectadas, de escoriações e acidentes; lesões úlcera-arteriais; lesões por pressão

  2. Interessados em educação para a saúde (conscientização sobre higiene corporal e contra dengue, zika e chikungunya)

  3. Reeducação vesicointestinal (pacientes que perderam a capacidade de esvaziar a bexiga e/ou o intestino)

  4. Outras informações: (31) 3319-4424.

Texto
Leandro Felicíssimo
Fotos
1Raphael Calixto
2Pâmella Ribeiro
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