revista puc minas
FAguiar-No-Mundo-dos-Son(h)os-_II_1996-(1)
No mundo dos son(h)os. 1996 - Fernando Aguiar. Lisboa, Portugal

Ao tempo

Dante Milano

Tempo, vais para trás ou para diante?
O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,
Ou existir é uma contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida
A um tempo aproximando e distanciando…
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando
Tempo, vais para diante ou para trás?

Publicado no livro Poesias (1948). Poema integrante da série Sonetos e Fragmentos.
In: MILANO, Dante. Poesias. Pref. Ivan Junqueira. Petrópolis: Ed. Firmo. 1994. P.41. (Pedra mágica, 1)


O meu tempo

Arnaldo Antunes

O meu tempo não é o seu tempo.
O meu tempo é só meu.
O seu tempo é seu e de qualquer pessoa, até eu.
O seu tempo é o tempo que voa.
O meu tempo só vai aonde eu vou.
O seu tempo está fora, regendo.
O meu dentro, sem lua e sem sol.
O seu tempo comanda os eventos.
O seu tempo é o tempo, o meu sou.
O seu tempo é só um para todos,
O meu tempo é mais um entre muitos.
O seu tempo se mede em minutos,
O meu muda e se perde entre os outros.
O meu tempo faz parte de mim, não do que eu sigo.
O meu tempo acabará comigo no meu fim.


O tempo envelhece depressa

Antonio Tabucchi

Perguntei-lhe sobre o tempo, quando éramos tão jovens, ingênuos, impetuosos, tontos, despreparados.
Algo disso restou, menos a juventude – me respondeu.


Da natureza das coisas

Lucrécio (96/55 a. C.)

Nenhum olhar, por mais agudo e atento, pode perceber o que vão a pouco e pouco juntando a cada ser a natureza e os dias, nem pode distinguir o que perdem a cada instante as coisas que envelhecem pelo tempo ou de fraqueza, ou as rochas que, mergulhadas no oceano, são roídas pelo úmido sal.


Tempo: essa usina de amnésia

Guillermo Cabrera Infante

Página sob responsabilidade do professor de Filosofia Haroldo Marques, que remete à publicação de mesmo nome, da Secretaria de Cultura e Assuntos Comunitários
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