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Engenharia Civil Peça de resistência

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Ana Cristina Rocha e Jéssica Rebouças Ribeiro, componentes do grupo que desenvolveu placas de drywall a partir de resíduos da construção civil

Processo de produção inovador de placas de drywall utiliza materiais recicláveis, de descarte, sucata e gesso comercial

No Brasil, o setor de construção civil produz, em média, meia tonelada de resíduos ao ano. Estima-se que 60% do lixo sólido das cidades tenha origem na construção e 70% deste total poderia ser reutilizado. Com o reuso de materiais a economia no setor poderia chegar a R$ 8 bilhões ao ano. Os dados são da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos de Construção Civil e Demolição (Abrecon). A partir deste problema, alunos do Curso de Engenharia Civil da Unidade Barreiro desenvolveram placas de drywall sustentáveis e economicamente viáveis, reaproveitando os resíduos gerados pela construção civil, em Trabalho de Conclusão de Curso apresentado em dezembro de 2018.

“O gesso em si, quando é descartado, é muito agressivo para o meio ambiente por causa dos compostos químicos que leva, então seria uma vantagem reutilizá-lo”, afirma Jéssica Rebouças Ribeiro, uma das componentes do grupo que desenvolveu o trabalho, juntamente com os alunos Adelson Junior, Anderson Pereira, Ana Cristina Rocha, Cássio Melo, Kelly Faleiro e Mariana de Souza.

Para reciclar o gesso, o grupo triturou o resíduo para depois calciná-lo em uma temperatura em torno de 200 graus célsius por 20 minutos para virar gesso novamente. Para isso, foi construído um forno solar apenas com sucata, com intuito de deixar o trabalho ainda mais sustentável. “Usamos uma antena parabólica, um pé de churrasqueira e pequenos espelhos, cobrindo a antena toda por dentro, para captar o máximo possível de energia solar”, conta Ana Cristina. De acordo com o orientador do trabalho, professor Bruno Christiano Silva Ferreira, existem outros modelos de placas sendo estudadas em meios acadêmicos, mas a utilização de forno solar para a sua produção é uma inovação.

Após o processo de calcinar o resíduo de gesso, foram adicionadas fibras de coco e água até o gesso virar uma pasta. Assim, o composto é colocado nos moldes para secar. “Fizemos várias placas, com diferentes proporções de gesso calcinado e gesso comercial, para saber qual seria a melhor e mais resistente”, conta Ana Cristina. Para os testes, foram produzidas cerca de 200 placas no formato 30cmx30cm e a conclusão foi a de que a mais resistente é composta por 75% de gesso comercial e 25% do calcinado, mas a fibra de coco é o elemento diferencial. “O drywall não tem tanta resistência à tração, só à compressão. Com o uso das fibras de coco nossa placa apenas trinca e não se despedaça, como a de drywall comum”, conta Jéssica.

Por ser um procedimento de baixo investimento que utiliza em sua maioria materiais recicláveis, de descarte, sucata e gesso comercial, a construção da placa é financeiramente viável tanto para quem deseja começar a produzir o drywall quanto para empresas que já o fabricam, pois além de precisar de temperaturas baixas para fazer o processo de calcinação, podendo utilizar fornos comerciais ou domésticos, torna esse resíduo novamente reutilizável.

Ana Cristina e Jéssica mencionam como o principal triunfo da pesquisa terem conseguido produzir as placas sem agredir o meio ambiente. “Eu acredito que a relevância do nosso trabalho é pensarmos no futuro. As pessoas estão descartando as coisas de uma maneira excessiva, e, neste cenário, pensarmos na reciclagem é uma contribuição”, conclui Ana Cristina.

Texto
Júlia Mascarenhas
Foto
Raphael Calixto
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