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Saúde Vou de bike

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Membros da comunidade acadêmica aderem ao uso da bicicleta como meio de transporte

Há 14 anos, o estudante Arnaldo Teles, do Curso de Administração da PUC Minas Betim, começou a pedalar por lazer. Por convite de um amigo, foi ao Pico dos Três Irmãos, em Brumadinho, a 30 km de Betim, que pode ser visto de vários pontos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, quase metade da vida do estudante de 31 anos já foi passada sobre duas rodas. E o que começou como lazer, tornou-se parte da vida dele. “Mais do que um hobby, uso a bicicleta como meio de transporte”, conta ele, que aponta como um dos principais fatores para o uso da bicicleta como meio de locomoção urbana a rapidez nos deslocamentos. “Aqui em Betim, usar a bicicleta como meio de transporte é mais rápido que o transporte público. Os ônibus dão muitas voltas dentro dos bairros e com a bicicleta consigo passar pelas vias rápidas, que têm ciclovia, e chegar à Universidade mais rapidamente”, afirma Arnaldo, que mora a 7 km do campus.

De acordo com a TransBetim, Empresa de Trânsito Municipal, a cidade de Betim conta com 30,41 km de faixas cicláveis, que cobrem parte da zona urbana do município e passam pelas imediações da PUC Minas Betim, fazendo com que muitas pessoas utilizem a magrela para os deslocamentos. É o caso de Sérgio Mendes, que trabalha no setor de Infraestrutura do campus há quatro anos e também tem a bicicleta como principal meio de transporte para trabalhar. “Desde que comecei a trabalhar aqui, uso a bicicleta para meu deslocamento, por dois motivos: para me exercitar e por ser mais rápido”. O trajeto, também de 7 km, de sua casa até o campus, Sérgio faz em 15 minutos, o que atesta o bom preparo e resistência física do auxiliar de serviços gerais e confirma dado da União dos Ciclistas do Brasil (UCB), ONG que promove o uso da bicicleta como meio de transporte, lazer e esporte, que afirma que a bicicleta é um dos meios de transporte mais utilizados no País para percorrer pequenas distâncias.

No campus Betim, a pesquisa da UCB também se confirma: o bicicletário próximo ao acesso 2 foi instalado há menos de dois anos e, de lá para cá, as 20 vagas disponibilizadas para os ciclistas estão cada vez mais disputadas e, às vezes, é preciso encontrar meios alternativos para estacionar as bikes. “Algumas vezes precisei prender a bicicleta junto ao poste ao lado do bicicletário, pois as vagas estavam todas ocupadas”, conta o estudante Arnaldo. “A vantagem de chegar cedo é que sempre tenho vaga garantida para estacionar minha bicicleta”, completa Sérgio, que às 6h30 já está na PUC Minas Betim.

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“Morei durante sete anos nos EUA e a bike me acompanhou. Já fiz algumas viagens de bicicleta e chego a pedalar cerca de 300 km em trilhas e montanhas a cada mês, apenas por prazer”

Henrique Paprocki, professor da Universidade

Meio de transporte ecológico

Quem também não dispensa a bike para seus deslocamentos é o professor Henrique Paprocki, que leciona no campus Coração Eucarístico. A relação do professor com a bicicleta é antiga e ela é seu meio de transporte preferencial. O biólogo conta que desde muito pequeno frequentava o estacionamento do campus para pedalar e foi lá que seu pai e seu irmão tiraram as rodinhas da bicicleta, quando ele tinha cinco anos. “Diariamente, pedalo da minha casa até a Universidade, percorrendo três quilômetros, o que faço com muito prazer, pois não enfrento engarrafamentos e não contribuo para a emissão de gases de efeito estufa, o que muito me orgulha”, destaca o professor. Só em seus deslocamentos urbanos o professor pedala cerca de 100 km por mês.

Em 2010, a ONU elegeu a bicicleta como o meio de transporte mais ecológico do planeta. Embora seja considerada o mais sustentável, a bicicleta e seus usuários, em muitos locais, ainda não recebem a devida atenção por parte das iniciativas pública e privada, fazendo com que as pessoas não a utilizem, deixando de usufruir de suas vantagens. Uma pesquisa realizada em 2013 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que entre os principais motivos para a escolha da bicicleta como meio de transporte estão rapidez, baixo custo e conforto, o que revela que, independentemente da condição social, estes três fatores são determinantes para o uso ou não dela como meio de transporte. Mas um dado preocupante do mesmo levantamento aponta que apenas a metade das pessoas que utilizam a bicicleta se sente segura pedalando, contra 80% das que andam de carro ou ônibus. Essa afirmativa vai contra um dos argumentos mais propagados para o não uso da bicicleta: a topografia da região metropolitana. Ou seja, a falta de segurança e infraestrutura influenciam mais na decisão de pedalar do que as subidas e descidas do relevo metropolitano.

Para o professor Ivan Luiz Vieira, do Curso de Engenharia Civil, ainda que a cidade possua um relevo desfavorável, a população está disposta a utilizar a bicicleta desde que as condições de segurança e infraestrutura cicloviária estejam bem definidas. “A topografia é um fator muito relevante para a escolha da bicicleta como meio de transporte, por isso, a infraestrutura deve amenizar a topografia acidentada e conectar polos geradores de viagens. Contudo, pesquisas realizadas em Belo Horizonte apontam a insegurança e a precariedade da infraestrutura cicloviária existente como os principais fatores para a não utilização da bicicleta como meio de transporte”, salienta o professor Ivan. O mau uso das vias cicláveis, que acabam se tornando estacionamento de carros, motos, caçambas e carrinhos de venda de produtos, acabam bloqueando o que traria segurança para os ciclistas transitarem pela cidade. “Devido à falta de educação de alguns condutores de carros e ônibus, aliada ao planejamento inadequado das faixas cicláveis, o ciclista dificilmente é respeitado. Pedalar em BH é para quem gosta de aventura”, ironiza o professor Henrique.

 

Pedaladas seguras e saudáveis

  • Os cuidados necessários e os benefícios do uso da bicicleta como meio de transporte, segundo a professora Magda Rocha, coordenadora do Centro Clínico de Fisioterapia do campus Betim:
  • Antes de iniciar, é indicado fazer um check-up, para a prática não se tornar um problema
  • A bicicleta precisa estar adequada ao peso e altura do condutor, para evitar problemas na coluna e articulações
  • O uso de equipamentos individuais de segurança, como capacetes e luvas é indispensável
  • Melhora o condicionamento, força e resistência física
  • É fundamental que o ciclista se proteja do sol, alimente-se bem e ingira líquidos antes, durante e depois da prática
  • Ajuda a controlar o metabolismo, contribuindo para a manutenção do peso
  • Diminui o estresse, uma vez que a prática de atividades físicas libera endorfina, hormônio ligado ao prazer
Texto
Rafaela Angeli
Fotos
Marcos Figueiredo
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